segunda-feira, 4 de outubro de 2010

No quarto vermelho com meus demônios.


A bordo do transatlântico, que diabos sou eu?
Já pedi desculpas, mas não sei se adiantou.
Milhares de chinelos espalhados pelo chão. Os amigos dormem.
Pela minha glote passa apenas um filete de água e minha boca seca exige mais. Tudo bem. Ouço vozes .
São meus passageiros e eles estão tranqüilos. Não eu.
Estou nervoso e não consigo me recuperar.
Que Sorte.
Não sei exatamente como manter o leme distante de problemas.
Me alimento dos conflitos e neles sou viciado.
Talvez uma arma resolvesse isso com um só disparo.
Não há música, só o barulho do motor.
Daqui a pouco partimos rumo ao destino do sucesso.
Milhares de pessoas gritando, cantando e algumas horas depois...
lá estou sozinho 
 novamente.
É assim que é.

Não sei amar e pronto.
Me sinto mal, mas essa é a verdade.
Continuarei fingindo que está tudo certo. E não está?
Tu enxergas em mim algo de errado? Diga-me que disfarço bem.
Eu disfarço bem!
Quero plantar sementes disciplinadas. Criar uma nova ordem, mas sempre falho.  O castigo deveria ser pra mim e pra mais ninguém.
Mas me sobra poder diante dos mais fracos e isso é ridículo, vamos além.
Essa culpa que me enrijece. Essa lágrima que não escorre, esse sorriso que estampa apenas a minha face, não minha alma, é o que posso oferecer.
Falsas virtudes.

Talvez algum dia eu amadureça e então ofereça o néctar de algum saber.
Enquanto consomem apenas minha imagem, eu peço coragem pra permanecer.
Desculpem-me as falhas, não sou de ferro. Preciso de luz para sobreviver.
Amo muito todos que me cercam, mas infelizmente não sei dizer.
Essa é que é a verdadeira verdade.
Esse é meu ser.

Pensamentos perdidos numa tarde fria
Preciso desejar menos esse desejo que me deseja
E confiar mais na natureza das minhas preces
É tão puro. E a imperfeição me cerca e eu acho graça
Por que também sou parte dela.

Foge tua boca de mim que eu com  suas palavras invento um novo xadrez
Desço ao fundo do poço do inferno, faço o caminho inverso e estou de pé outra vez.
A minha vida  sempre foi luta e eu não fujo de briga eu não fujo não
O que eu tenho conquistei na coragem, To seguindo a viagem com disposição
Já coloquei por diversas vezes a cara pra bater enquanto outros se escondiam
Faziam o tipo “Eu não quero ser”, “Eu não faço parte”  mas sempre pertenciam.

Enquanto eu tentava te chamar atenção
Com inteligência e educação ahaahahaha
Você me oferecia o seu ombro virado  
Tudo isso e eu dormi calado.
Mas eu queria mesmo era continuar
E te levar um pouco mais a sério
Mas você só queria era me ver no domingo
E a verdade é que eu não aparecia.

Preciso respeitar sua presença, mas eu sei o meu caminho e sei o que eu quero
E te darei licença, mas leve com  você o seu pior inimigo
Pode ser que ele sirva pra mostrar que o perigo esta por perto mas tu sabes converter
E ao teu favor tudo continuará,
E agora  vamos  todos viver.

Somos jovens e não idiotas.
Somos a parte que se importa com o todo também.

Ressaca




Alternar momentos de extrema alegria com outros de angustia pura e é assim que vivo.
Com um vento que venta dentro do peito.
Com um brilho que vaga no fundo dos olhos.
Respirar a fumaça escura da esperança que arde em chamas entre as margens do rio e o céu me intoxica.
Detesto ver as cortinas desabando aos meus pés.
Ser parte da engrenagem.
A liberdade que existe entre o espelho e eu.
Falsa, indecente, imoral, necessária.
A prisão que se tornou viver entre minha fábula e a vida real que jorra pelas janelas.
O gosto torpe do amor e o azedo do ódio que habito em veias chulas,
eis que me vejo em meio a um turbilhão de sorrisos, mas não sei sorrir.
Eis que me vejo radiante apregoado com os pés no chão fingindo que quero voar e não sei voar.
Não sei pra onde iria se soubesse.
Só durmo quando imagino que estou voando.
Alternar momentos de certezas com outros de confusão é a dívida entre a culpa e a paranóia.
O acerto no jogo de dados.
O sim quando deveria ser o não.
O prêmio frustrado, o ocaso do acaso, a ressaca, a luxúria, a volúpia
e o desamparo amargo no reflexo do copo de leite.
Fugir pra onde pode ser encontrado.
Ver e fingir não ter visto é um risco meramente calculado.
Alternar mentira e solidão.
Pois ambas anulam-se entre si.
Medo e desejo. Prática e memória. Repressão.
Repressão do âmago do âmago.
Apenas repressão.
O que penso de mim quando penso o que pensam de mim?
O que penso de mim quando exponho apenas o avesso?
Hoje despertei olhei para o lado e estava só.
O vento venta dentro do meu peito.

Há muito que se pensar a respeito do que se dizer.



E em respeito ao que se dizer é preciso muito mais do que só pensar.
É preciso sentir o que está se dizendo, necessário ouvir suas próprias palavras,
Importante saber o significado do que se expressa e fundamental entender que, ainda que seja o mais claro e simples e objetivo e fiel a tuas intenções existirão aqueles que sequer tentarão ouvi-lo com a mesma boa vontade. Pois nenhum indivíduo é capaz de sustentar suas próprias indefinições por tempo ilimitado. Em algum momento mesmo que finja não perceber o ser encontra-se com a alma e um cochicha para o outro: eu sei quem você é, eu sei quem é você.
Desse dia em diante do que adiantará forjar diversos personagens para chamar atenção do que não encontras dentro de ti mesmo?
Ao quereres ser ouvido é porque antes de tudo queres ser falado e para ser falado é preciso fazer algo que valha a pena por esse mundo.
Não finja que não entendestes o objetivo dessa prosa.
Talvez alguns venham até aqui para julgar.
Outros para ecoarem suas mágoas.
Outros, pelo simples desejo de compartilhar sabores, texturas, figuras, fissuras, seus anjos e seus demônios, seus deuses e seus guias, pastores, líderes.
Do que adiantaria seguir alguém que não sabe para onde está indo?
Eu quero ir além dos seus estereótipos, de suas exibições em salas fechadas, de suas interpretações sempre pelo ângulo da vítima, como se não soubestes que faz parte tanto quando o algoz dessa historinha que é vendida todo dia em tela plana com quarenta e duas polegadas divido em 100 vezes no cartão de crédito, pois sabemos que alguém por ai quer comprar esse jornal, onde todos os trezentos e sessenta e cinco dias do ano a natureza simplesmente se fez perceber pela irracionalidade dos homens.
O que há de divino neste espaço?
Onde profanaremos todos os assuntos sem medo da culpa e sem a culpa que vem com o medo.
Onde confabularemos planos para criar novos mecanismos de interpretação para as mesmas faces virulentas com suas verdades de ouro que insistem em nos desejar o bem, quando na verdade querem mais é que o mundo nos engula.
Eu não serei simplesmente engolido por suas divagações sobre os diversos tipos e formas de enquadrar alguém para limitá-lo ao teu conforto. Em absoluto. Quero mais é que duvides realmente de tudo o que por aqui vier a encontrar. Pois não fabricarei fofocas, mas posso compartilhar do universo célebre e repleto de glamour e delírios como se fabricam muitos por ai, às vezes participando sem sequer saber o que se alimenta disso por baixo dessa máscara que todos nós temos guardadas em nossos armários de pele e osso.
Desse dia em diante, entendas quem sou, o que quero que entendas e o que não sou capaz de explicar. Existem frases no mundo que nasceram com um propósito e outras que vão se formando conforme o seguir das linhas, nem tudo está escrito ainda. Há muito o que se escrever por sinal e aqueles que com tuas retinas quiserem compartilhar dessas aventuras, por aqui serão bem vindos, enquanto que os soldados com suas espátulas e seus dicionários analíticos,  com suas gravatas e seus óculos de marca, com suas ênfases no conceito que constroem sem o conhecimento suficiente quiçá sobre si mesmos. O que tenho mais a dizer?
Nada, pois é partindo dele que hei de construir meu reino com simplicidade e clareza diante da agonia do inimigo que não consegue me resolver em tão poucas gargalhadas.
O dia vem vindo e eu vou indo com ele.
Até chegar a hora de subir.
Todos terão sua chance.

FORÇA SEMPRE.


FORÇA SEMPRE

Milhões de coisas passam pela minha cabeça.
 
Me sinto na fila da montanha russa. Dessas que tem as alturas das estrelas. Dessas que você quer desfrutar do prazer, mas tem medo, porém segue na segurança de que sentirás as melhores sensações e tudo dará certo.
 
Quem não se arrisca na vida, vive no marasmo. No previsível, no seguro exagerado da mesmice aguda. Pode ser mais confortável para alguns, mas com certeza não envolve a mesma quantidade de experiências de quem segue adiante e encara os desafios. Mesmo com a possibilidade de ser julgado, mal interpretado, amado, odiado, elogiado, ridicularizado. A vida afinal, não contém diversos prismas e visões?
 
Não foi pra isso que viemos aqui?
 
Viemos para viver ou para apenas existir?
 

 
Eu vim para viver. E acredito que minha experiência de vida no planeta terra tem sido bem ativa e diversa. O que me atrai e considero  relevante, eu vivo. Mesmo quando isso significa quebrar algumas regras impostas por quem dá as cartas.
 
Quem dá as cartas? Por que devo fazer só o que me mandam?
 
Não devo criar? Experimentar? Aprender, desenvolver e até errar? Posso até me dar ao direito de me arrepender, mas somente do que vivi.
 
Pois é assim que vejo a vida. Como um infinito de possibilidades que dependem apenas de mim e da forma que as encaro para darem certo.
 
De bom humor, de mau humor, de coração, com falsidade, acreditando ou desconfiando. Vou descobrindo. Esse é meu espírito.
 

 

 
Por que estou escrevendo isso? Por que nesse momento?
 
Porque sinto que estou para passar por um dos maiores desafios de minha vida. E isso consiste em me programar para tirar algo de relevante de toda esta experiência. Quantas vezes já repeti a palavra experiência?
 
É isso que sou. Um cientista da vida. Das sensações, das possibilidades, porém, buscando um equilíbrio. Sem redundâncias de livros de auto-ajuda.
 
Meu objetivo não é ajudar ninguém. Não na forma de um texto, ou desse texto.
 

 
Este texto é uma reflexão de uma madrugada diferente.
 
Um momento grifado da minha vida. Depois de um show, junto de situações que me foram oferecidas e dispostas a meu prazer exatamente porque me arrisquei.
 
Porque me dediquei a fazer algo improvável. Porque estudei esse algo e obviamente porque isso estimula meus impulsos para seguir adiante.
 
Amanhã eu descanso um pouco, depois pego a estrada novamente.
 
Então...
 

 
Vou viver mais um pouco o que me cabe...
 
Certo de que esse risco vale a pena e de que vencer, só depende de mim.
 

 
Independente do que aconteça, estarei disposto a lutar para dar um passo adiante.
 
Como sempre lutei.
 

 
Conto com meu aliados!

Tico Sta Cruz.