sábado, 25 de dezembro de 2010

Eu gosto de garotos em balanços e garotas de skate. Eu gosto de bebês em cadeiras altas. Eu gosto de embalagens de remédios. Eu gosto de pessoas com chapéu e sobrancelhas grandes. Eu gosto de pessoas com chapéu, sobrancelhas e bigodes grandes. Eu gosto de água presa em teias de aranha. Eu gosto de vestir todas as minhas roupas de uma vez só. Eu gosto de pessoas que não sorriem. Nunca. Eu gosto de pessoas que sorriem. Eu gosto de cabelos que crescem sempre. Eu amo comida. De alguma maneira eu amo tudo. É menos... menos que algo, no entanto. Tipo, menos distinto, menos particular. Eu gosto das coisas que eu gosto mas eu amo tudo. Tem mais escolhas em, tipo... até as piores coisas têm coisas para serem amadas. Eu amo tanto as coisas, que eu sinto que posso flutuar pra longe. Minha mãe entende como flutuar todos os dias. Eu não entendo tanto. Não sei o que você quer dizer com “coisas que eu odeio”. Eu odeio sapatos. Eu odeio pessoas que mudam suas vozes quando dizem algo importante. Odeio minhas coxas. Eu odeio guerras. Eu odeio roupas de mergulho que grudam. Eu odeio torneiras que ficam pingando. Mas eu também meio que amo torneiras que ficam pingando. Eu odeio convites. Eu odeio radiadores. Eu odeio isso. Uau, foi mal.

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